A Jurimetria e de como o Direito pode ser atualizado.

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A Jurimetria trata-se do modo pelo qual chamamos os estudos empíricos em Direito, fazendo uso da Estatística.
Um novo modelo de conhecimento, a partir da segunda metade do século XIX, começa a se fundamentar no pragmatismo da estatística, utilizando suas técnicas de controle de incertezas e mensuração de variabilidades, com foco na descrição aproximada de populações inteiras e não somente para o estudo exato de um único indivíduo.
Felizmente, ao longo do século XX, ciências como a geografia, a medicina, a sociologia, a administração e a economia são alguns exemplos dos ramos das humanidades que passaram a fazer uso das técnicas estatísticas e modelos de probabilidade.
A sociedade precisa de resultados e o direito, como ciência social, é instrumento hábil para aproximar a realidade da expectativa que as pessoas têm em relação à justiça, no caso da entrega do que é justo, do que é bom. E para que haja qualquer mudança ou transformação na sociedade e sua realidade, é preciso antes de mais nada conhecê-la, pois o que o estudo empírico e estatístico nos mostra é que ninguém pode transformar aquilo que ignora.
A metodologia da Jurimetria é a Estatística, e seus três pilares operacionais são: Jurídico, Estatístico e Computacional. Também o objetivo fundamental é controlar a incerteza do Direito, tratando-se também de uma nova disciplina, tanto jurídica quanto estatística.
Muito embora o Direito não seja inteiramente mensurável, suas manifestações concretas o são, e os microdados estão aí para serem utilizados da melhor forma possível. As Ciências Jurídicas têm na sua essência a manifestação da liberdade humana, com suas variações e incertezas, com sua Filosofia do Direito, dimensão axiológica e tudo o mais.
Segundo Marcelo Guedes Nunes, Presidente da Associação Brasileira de Jurimetria e Advogado, “O Direito é uma ciência retardatária nesse movimento de aproximação com a estatística”. E esta afirmação se fundamenta no fato de que os juristas e operadores do Direito, de um modo geral, estudam o ordenamento sem se preocupar com os seus resultados práticos, desse modo as leis são discutidas levando-se em consideração apenas sentidos hipotéticos atribuídos a ela mesma.
Neste contexto, tanto bacharéis quanto juízes, consultores legislativos, promotores e os operadores jurídicos das empresas, enfim, os atores da cena jurídica como um todo, são treinados e acostumados a discutir e operar em relação a uma norma baseados em hipóteses atribuíveis à própria lei.
Esta cultura colabora para que não possam saber das consequências práticas que o real sentido das leis pode produzir. Isto se dá pelo fato de que não há preparo técnico e conhecimentos básicos em estatística e pesquisa empírica, realidade que buscamos, como operadores do Direito, mudar no dia-a-dia.
Atualmente, os estudos empíricos em Direito, ou seja, a Jurimetria, vem crescendo. E a razão para que isto ocorra é simples: os juristas estão cada vez mais conscientes de que o sucesso das mudanças legislativas para a melhoria do sistema de justiça passa, necessariamente, por uma apropriação de dados referente ao que está acontecendo nos tribunais.
O estudo empírico sobre as decisões é de fundamental importância para que o ideal de justiça que a sociedade almeja seja alcançado, e para que isto se realize o diagnóstico dos problemas por meio da Jurimetria será o mais correto e assim, com os dados do passado estudados no presente as decisões que fundamentam as reformas legislativas serão mais assertivas com melhores resultados no futuro.